Bem Vindo!
 
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Concepção

A vida é uma só
Deus a fez do nada - volta ao pó
Pó da terra, não de areia
terra, do homem primitiva veia

Ela passa voando
ora sorrindo, às vezes chorando
mas depressa como o pó

Não machuque a terra, não pise nela
Ela é coração, razão de vida, cerrado e serra
Não é ilusão, não é quimera

Vida é paixão, paixão fervente
coisa quente, sem ilusão
Que leva o homem - grande fantoche -
aonde quer, como um pimpão

Ela passa chorada, às vezes odiada
quase sempre amada
e desfaz-se como o pó.

Carlos Moura


Vida

Ânima
é alma
alma é vida
vida é ser ou alma vivente

Vida é verdade
é liberdade
se não é livre
pseudo é

O ar é vida
o mar também
O centro urbano
vida verdade não tem

Tem vida pingente
descrente vida
Vida pavio
é sobrevida

O urbano criou vida
estereotipada
estigmatizada com marcas mil
Encaminhou a vida à mordaça
formando o homem traça
ou a vida vil

O que dizer
o que predomina:
“severina” ou vida grã-fina?

Carlos Moura


Vida II

Agora é hora de viver
viver nunca demora, sempre é hora
Embora, se não fosse assim...
pressa de ir não teria eu!

Para a vida outrora
em boa hora eu vim
As outras horas
ao Criador agradeço, sim

Se a vida é boa
não há horas más
Quando há, ela se escoa

Viver é bom
É ouvir da atmosfera a melodia
perceber na doce música o tom

Sentir na solidão certa harmonia
E enxergar nos astros do universo
a sincronia!

Carlos Moura


Vida III

Meu amor pela vida
é compreensível
Ela me leva a passear
me afasta do horrível

Me confirma a existência
me dá prazer em existir
E me perdoa as negligências
não me deixando desistir

Às vezes, me leva a sofrer
mas me levanta e acaricia
oferecendo-me o alívio

O tempo todo me dá lições...
Como uma mãe me indica caminhos
de braços abertos me abraça e me recebe.

Carlos Moura


Vida levada

Vida levada me leva
leva-me a viver
embalado na alegria
dos que gostam de você
Felicita-me com o bom humor
das manhãs primaverís
e com infindáveis noites de verão
Mas não me permita
as folhas secas outonais
e nem o rigor dos dias de inverno

Vida levada me leva
leva-me, mesmo na incerteza
e deixe-me viver
Mas não na deriva...
que intensamente eu viva!
Permita-me a paz interior
das crianças e daqueles
que com fervor oram
E que eu tenha força
para auxiliar os que choram
Mas não me deixe acovardar
ante o desamor e as injustiças
Que eu te curta, vida!

Carlos Moura

 
 
 
 

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