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Cidadãos que orgulham o Centro

Durante a semana de 25 de Janeiro, dia do aniversário de São Paulo, o Centro em Foco realizou uma sondagem com 150 pessoas, buscando encontrar 10 personagens que, por sua atuação, aos olhos de trabalhadores e moradores da região central, são vistos como interessantes ou importantes ou indispensáveis no cenário do Centro, lembram de imediato essa porção da capital paulista, considerados “a cara do Centro”. O resultado nos confirma a diversidade do paulistano e comprova que o Centro, realmente, é a síntese da cidade.

Esta coluna, Cidadão Central, que foi criada para contar a história da(o) cidadã(o) que se destaca na região central por uma atuação diferenciada ou por características pessoais incomuns, ou pela importância de uma ação cidadã, pela primeira vez coloca no foco mais de um(a) personagem, apresentando aos leitores do jornal um pouquinho do perfil de pessoas dignas de aplauso em nossa sociedade. Eles não são candidatos a nada, são cidadãos do Centro.

A personificação da elegância paulistana

Regente titular e diretor artístico da Orquestra Experimental de Repertório, com 60 anos de idade, ele é um dos ícones da elegância paulistana, representa muito bem o que há de melhor na capital, porém, ao contrário do que muitos acreditam, não nasceu em São Paulo, é natural da cidade de Piracicaba, no interior paulista, de onde saiu em 1970. Lá iniciou seus estudos musicais, depois veio para São Paulo, onde preparou-se para poder estudar música na Alemanha, a partir de 1973. Foi nesse país que graduou-se em Regência Orquestral, na Escola Superior de Música de Detmold.

De volta ao Brasil, em 1980, Jamil Maluf assumiu os cargos de regente titular da Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí e da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal, da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade São Paulo. Em 1990 criou a Orquestra Experimental de Repertório, tornando-se seu regente titular e diretor artístico. Sobre a região onde vive a maior parte do seu dia, o maestro diz: "Defino o centro de São Paulo como o velho coração que ainda teima em bater".

Mulher incansável

Quem não a conhece e a encontra caminhando pela rua Japurá e adjacências, indo a Ótica Japurá ou a padaria Palma de Ouro, imagina que ela tenha uma vida compromissada “apenas” com a sua casa e família, mas a realidade está bem distante disso.

Angela Carrocelli Kleber, 56 anos, casada com um músico da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, é mãe de duas filhas, dona de casa, síndica do prédio onde mora (Edifício Dr. Armando de Arruda Pereira), instrutora de ginástica rítimica Rádio Taissô, presidenta da Ação Local Maria Paula, coordenadora do Curso de Inglês do projeto da EF FOR ALL - no Centro Pastoral São Francisco -, e agente de conscientização comunitária da coleta seletiva de lixo solidária.

A quantidade e diversidade das atividades dessa Cidadã Central chama tanto a atenção, que em dois distintos momentos da sua vida, um telejornal da Rede Globo e a TV Câmara designaram repórteres para realização de matéria sobre sua atuação, acompanhando-a durante um dia todo. O destacável e impressionante é que Angela realiza a maioria dessas atividades, simultaneamente, há mais de dez anos.

O desenhista fiel e amante do concreto central

Paulistano nascido na Mooca, em 1º de Março de 1974, casado e pai de uma filha, Marcelo Senna é um artista plástico autodidata, que começou a desenhar aos 6 anos de idade, quando ainda fazia o primário. O artista tem atelier em casa, onde trabalha quase sempre sob a vigilância de seus três cachorros, pois entende que na sua profissão poder dormir e acordar quando dá vontade é muito bom e importante. Então, ao falar de sua vida, declara feliz que tem “um estilo de vida bem legal”.

Há dez anos, Senna realiza exposições de desenhos iconográficos gigantes da cidade de São Paulo, quase sempre somente à lápis, o que tornou-se sua marca registrada. Paradoxalmente, o artista afirma: “dias nublados sobre os prédios acinzentados do Centro, são a minha inspiração”.

Amaral, o balconista mais famoso do Centro

Pelo nome Benilson Xavier de Souza ele é um grande desconhecido, mas, pelo apelido que ganhou no estabelecimento onde trabalha há 33 anos, o Amaral é conhecidíssimo, a ponto de ser impossível afirmar se foi ele, por sua simpatia e eficiência no desempenho das funções de balconista, que contribuiu para que o “sanduíche de pernil do Estadão” ganhasse status de ícone paulistano, ou se foi o fato de trabalhar com a especialidade do Bar e Lanches Estadão é que fez dele o baiano “naturalizado” paulistano, mais conhecido da cidade.

Natural de Vitória da Conquista, o corinthiano Amaral chegou em São Paulo no ano 1968 e ganhou o apelido ali mesmo no balcão em que trabalha, na época em que o Corinthians contratou o volante Amaral e ele era torcedor fanático do time - hoje se diz “light”. Homem simples, com 63 anos de idade, ele está sempre bem humorado - atende a todos quase sempre com largo sorriso e com os conhecidos faz brincadeiras; mas não gosta de falar de sua viuvez. Amaral é o funcionário mais antigo do Estadão e como o estabelecimento, é constantemente procurado pela imprensa, tendo sido alvo de matérias inclusive de publicações estrangeiras.

O empresário que não deixa o Centro

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Votorantim, que mantém mais de 60 mil funcionários, Antônio Ermírio de Moraes nasceu em 04 de Junho de 1928 e é casado, desde 1953, com Maria Regina da Costa, com quem tem nove filhos - cinco homens e quatro mulheres.

Entre as diversas láureas que recebeu ao longo da carreira empresarial, está o título de “Doutor em Metalurgia”, oferecido, em 1989, pela Colorado School of Mines dos Estados Unidos, escola onde formou-se engenheiro metalúrgico em 1949. As principais áreas de atuação de suas empresas são: metais, cimento, papel, química, eletricidade e sucos.

Os compromissos empresariais diários de Antonio Ermírio são inúmeros e diversificados, mesmo assim consegue dedicar tempo à Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo, à Associação Cruz Verde de São Paulo, à Fundação Antônio Prudente, às Casas André Luiz, entre outras organizações não governamentais, como o Instituto Baccarelli. No Hospital da Beneficência Portuguesa tem atividade mais intensa, pois é seu presidente.

O empresário também tem hobby: o teatro. Escreveu e produziu três peças teatrais, representadas em várias cidades do país: Brasil S.A., SOS Brasil e Acorda Brasil.

O andarilho do Centro

Bacharel em Direito, pela Faculdade do Largo São Francisco, comerciante por opção e prazer, como gosta de dizer, “Carlinhos” tem 55 anos, é paulistano (nascido e criado no Bom Retiro), casado e pai de três filhas. Declara-se fã de Mahatma Ghândi e Martin Luther King e, curiosamente, gosta de citar pensamentos da Madre Tereza de Calcutá. Uma frase dela expressa bem, aos olhos de seus amigos, a maneira como aparentemente ele vive: “Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos”. Espirituoso e quase sempre bem-humorado, Carlos Beutel tem fome de viver o presente de maneira plena e consequente, e estimula os outros a fazê-lo. Sério e determinado, ele o faz com responsabilidade.

Homem de vida simples, mas de muita atitude, demonstra gostar muito da vida em coletividade, pois quase tudo o que faz é de interesse coletivo. Aliás, as três atividades que desenvolve por voluntarismo e cidadania têm lugar no Centro (uma de suas paixões): organiza e promove a Caminhada Noturna pelo Centro, é diretor militante da Ação Local Barão de Itapetininga e membro conselheiro do Conseg Centro. Devido a essa “militância cidadã”, Beutel tem sido distinguido por diferentes instituições civis, com títulos e prêmios destinados ao voluntariado. Atualmente está se desdobrando para realizar um debate sobre a gestão do Centro, com a parceria de dois vereadores - de diferentes partidos, o que evidencia seu espírito democrático e desapego ao partidarismo.

Guardião do templo dos rockeiros

Ele tem 59 anos, é bacharel em Jornalismo e Psicologia, pós-graduado em Administração e Marketing, e fotógrafo. Seu nome no registro civil é Antonio de Souza Neto, mas ficou popular, muito conhecido, como “Toninho da Galeria” - codinome que lhe foi colocado como uma marca, desde que passou a realizar um intenso trabalho pela recuperação e modernização do edifício Grandes Galerias, que com o novo conceito conquistado a partir das reformas realizadas por ele, ganhou o nome de Galeria do Rock.

O “Toninho da Galeria” é casado com Rute há mais de 30 anos e tem dois filhos, que atualmente trabalham bem próximos dele. Aliás, trabalhar é o que mais faz esse aficionado por rock, com aparência de careta se comparado ao personagem Ramón, síndico da fictícia Galeria do Rock, da novela global Tempos Modernos, que consiste em um dos núcleos da trama inspirado na galeria da vida real.

Toninho conta com 50 funcionários para manter a ordem na galeria, hoje uma referência até mesmo para não rockeiros, de tal modo que acumula apelidos como um dos (prédios) “queridinhos do Centro”. Ele iniciou sua história com o espaço, como lojista, depois foi líder dos titulares das 450 lojas existentes (200 delas dedicadas ao rock), até atingir o status de “Toninho da Galeria”, o guardião do templo dos rockeiros.

O cantor do povo

Toninho Nascimento, músico, cantor, compositor e arranjador nasceu Antonio Durval do Nascimento, no Jabaquara, em 1963. Filho do telegrafista Benedito do Nascimento e da cantora Cacilda Machado, na adolescência era “bom de bola” e quis ser jogador de futebol, foi office-boy em duas importantes empresas: Interclínicas e Eletrocontroles Villares, mas, autodidata, aos 18 anos resolveu dedicar-se à música e viver dela e para ela, então surgiu o Toninho Nascimento.

Depois de gravar 1 disco de vinil, 11 CDs e 1 DVD, com seus projetos realizados em praça pública e já bastante conhecido na região central da cidade, o artista ganhou fama nacional ao participar do Programa Raul Gil, então na TV Record, por 33 semanas. Mas a despeito disso, Toninho continua se apresentando nas praças, “onde o povo está”, com a firme convicção de que o seu cantar é uma missão: “as pessoas precisam relaxar um pouco, precisam esquecer por um pouco os seus problemas, que são muitos, por isso eu não falto à praça”.

Atualmente, além dos shows que faz em diferentes centros culturais, clubes de empresas, casas de entretenimento, Toninho Nascimento se apresenta nas principais praças da região central e com alegria diz: “o Centro faz parte da minha história”.

O doutor Quixote

Auro Lescher, formado em Medicina, em 1988, pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, é o fundador e coordenador geral do Projeto Quixote, serviço ligado ao Departamento de Psiquiatria Social da UNIFESP, que atende crianças e adolescentes em situação de risco desde 1996. Por sua atuação à frente do Projeto, o médico foi distinguido com o selo Fellow da Ashoka - Empreendedores Sociais.

Lesher também é consultor de organizações não governamentais e prefeituras, em vários estados do Brasil, sobre a questão da criança e do jovem em situação de risco. E antes de criar o Quixote, entre outras atividades, coordenou projetos sociais como o do Centro de Referência Nacional para Prevenção do Uso Indevido de Drogas e da Infecção pelo HIV, da Escola Paulista de Medicina, e o Biruta - Grupo Biruta de Artes Cênicas, uma ONG que, através das artes cênicas, trabalha aspectos da qualidade de vida de pacientes psiquiátricos, crianças que vivem nas ruas de Santos.

Ao longo de sua carreira, até o momento, Auro Lescher foi co-autor dos livros: “Panorama atual das dependências”, pela Editora Atheneu (2006); “Drogas na escola: Alternativas Teóricas e Práticas”, pela Summus Editorial (1998); e “Dependência: compreensão e assistência às toxicomanias”, pela Editora Casa do Psicólogo (1996).

Em 13 anos, o Projeto Quixote atendeu cerca de 8 mil crianças, jovens e mães. Na região central, em áreas como a “Cracolândia” e Vale do Anhangabau, mantém o Programa Refugiados Urbanos, quem tem o objetivo de transformar a história de meninos e meninas em situação de rua, oferecendo-lhes atendimento clínico, pedagógico, social, psicológico e psiquiátrico.

Mestre dos intérpretes do carnaval paulistano

Edimar Tobias da Silva, cantor, radialista e ator, é o “Thobias da Vai-Vai”, e seu atual presidente. Paulistano, de 51 anos, iniciou sua carreira de sambista através da Gaviões da Fiel, quando ainda era uma das alas da escola, tornando-se mais tarde seu puxador. Foi considerado por especialistas, um dos maiores intérpretes de samba-enredo de todos os tempos no país. Ele é presidente de honra da Faculdade da Cidadania Zumbi dos Palmares.

Para Thobias “o cartão de visitas de qualquer cidade do mundo é a preservação e o carinho com que trata sua região central, como se esta fosse uma sala de visitas ou de jantar”.

 

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