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Mestre Ananias lança CD de samba de roda

Vestindo camisa e terno muito brancos, chapéu panamá, sapato bicolor e colar para o Orixá, o veterano mestre-capoeira Ananias, aos 83 anos lançou seu 2º CD próprio, com sambas de roda, em 12 de Dezembro, no SESC Ipiranga. Intitulado Samba de Roda ao Vivo - Documento Inédito, o álbum é o volume II do Projeto Documental sobre o trabalho do capoeirista, produzido pela Uirapuru Assessoria Cultural. Antes da roda de samba, "os discípulos" de "Seo Ananias" e os principais capoeiristas do Brasil, incluindo outros mestres, realizaram uma roda de capoeira, que aos olhos do público presente foi um show de agilidade e brincadeiras, embalados pela famosa bateria do mestre. O 1º CD original de capoeira (Capoeira - Documento Inédito) "Seo Ananias" lançou há três anos.

Quem foi ao lançamento, conheceu ou reencontrou a cor do samba, o "cheirinho" da Bahia e o dendê presente no ritmo do exímio capoeirista, rebento de São Felix (Recôncavo Baiano), e agora já pode dizer que "brincou" numa roda de capoeira com o mais antigo e respeitado mestre-capoeira de São Paulo, um ícone vivo da capoeira no Brasil. Com simplicidade, ele compartilha com todos os dispostos a "brincar" a herança ancestral africana que desde pequeno viveu na Capoeira, no Candomblé e no Samba de Roda. As mulheres que compareceram sem as saias rodadas tomaram emprestadas saias daquelas acostumadas a participarem, pois não resistiram ficar apenas como platéia. Todos chacoalharam as cadeiras e fizeram muito coro.

Mestre Ananias foi um dos primeiros capoeiristas a estabelecer residência na terra da garoa. Consolidou junto a seus conterrâneos a Roda de Capoeira da Praça da República "para alegrar o povo que ali passava". Há mais de 50 anos nessa roda, que representa um tradicional ponto de encontro de capoeiras em São Paulo, continua a comandá-la com muita dedicação e o perceptível respeito dos freqüentadores. Durante esse meio século, conviveu com grandes capoeiristas baianos que viveram ou passaram por São Paulo, como Evaristo, Zé de Freitas, Limão, Silvestre, Paulo Gomes, Suassuna, Brasília e Joel, entre outros. E a despeito do tempo e das demais circunstâncias da vida, com grande entusiasmo e desvelo, ele também permanece à frente das rodas que acontecem às terças-feiras, a partir das 20h, no Centro Paulistano de Tradições Baianas, escola de capoeira tradicional (Angola) que reabriu no começo de 2007, e onde é comum a presença de capoeiristas não apenas de toda São Paulo, mas do Brasil.

A relação com a Capoeira é antiga

Ainda jovem, em busca de trabalho, Ananias Ferreira foi acolhido em Salvador por um dos maiores mestres da Capoeira: "Valdemar da Liberdade". Grande ritmista, cantador e comandante de roda, Valdemar Rodrigues da Paixão é considerado um dos capoeiristas mais completos. A convivência com ele aconteceu junto aos mais expressivos nomes da capoeiragem: os mestres Pastinha, Traíra, Caiçara, Nagé, Onça Preta, Zacarias, Bom Cabelo e Canjiquinha, de quem o "Seo Ananias" recebeu o diploma de mestre. Nessa época Ananias não podia imaginar que estaria entre esses importantes nomes, muito menos que seria o guardião do universo da Capoeira em São Paulo, perpetuando um legado que hoje envolve mais de cinco milhões de praticantes no país, sendo que a capital paulista tem o maior número deles.

Em 1953, mestre Ananias chegou a São Paulo, convidado pelos produtores Wilson e Sérgio Maia. Foi quando sacudiu os teatros paulistanos com o dramaturgo Plínio Marcos e Solano Trindade, ao lado dos sambistas Geraldo Filme, Toniquinho Batuqueiro, Zeca da Casa Verde, Talismã, Jangada, Silvio Modesto e João Valente, além de outros batuqueiros. Entre suas participações no teatro e cinema brasileiros estão a peça Jesus Homem e Balbina de Iansã, de Plínio Marcos e os filmes Pagador de Promessas, de Dias Gomes, Brasil do Nosso Brasil, Fronteira do Inferno e Ravina, de Anita Castelane. Também fez apresentações teatrais com Ari Toledo no Teatro de Arena e gravações com o músico Jair Rodrigues.

Os interessados em conhecer o trabalho do mestre Ananias ou aprender a Capoeira , pode visitar o Centro Paulistano de Tradições Baianas (rua Conselheiro Ramalho, 945 - Bixiga, bairro de tradição afro-descendente) ou entrar em contato com a Uirapuru Assessoria Cultural - tel.: (11) 5072 - 6579 ou com a Assessoria de Comunicação do mestre - tel.: (11) 8116-1429.

 
 

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