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Mobilidade é vista como uma das principais dificuldades em SP

Questão deve ser debatida com a população e a solução está além
da discussão de vias ou meios de transporte,
trata-se de planejamento urbano.

Mais de 6 milhões de veículos circulam diariamente em São Paulo. A cidade que oferece 15.542 quilômetros de vias para carros dispõe de 74 quilômetros de trilhos para o metrô. Enquanto os automóveis geram um custo com combustível de R$ 114 milhões por ano, esse número cai para R$ 1 milhão para os ônibus, no mesmo período. O panorama da mobilidade no município é um retrato do caos vivido diariamente pelos cidadãos. Transporte público coletivo de qualidade, que atenda mais pessoas e em diferentes regiões da cidade, é o desejo da maioria. Na ausência disso, a escolha pelo transporte individual tem sido cada dia mais comum, o que só faz aumentar ainda mais o trânsito da metrópole.

São Paulo transporta 20 milhões de pessoas por dia e concentra o maior número de empregos nas regiões centrais, área onde também estão os maiores níveis de renda. Como a moradia está centralizada em regiões mais afastadas, a dificuldade de locomoção diária é a realidade para muitos. Para Ronaldo Tonobohn, consultor especializado em transporte urbano e assessor técnico da Secretaria de Transportes da Prefeitura de São Bernardo do Campo, esse é um fator que agrava a situação. “O deslocamento é maior, e melhor, quando se tem rede de alta capacidade, como o metrô, que não chega às regiões mais extremas da cidade. O que temos hoje é um grande número de automóveis carregando um pequeno número de pessoas. Assim, a mobilidade também se torna um fator excludente.”, destaca.

O trânsito caótico também traz conseqüências para a saúde da população. A qualidade do ar, em regiões onde a mobilidade motorizada está concentrada, como no centro da cidade, é bastante prejudicada. Mortes causadas por problemas respiratórios, assim como doenças cardiovasculares, acontecem com maior freqüência onde há mais veículos circulando.

Saída - Dentre as soluções tradicionais de sistema de transporte, o metrô é o mais citado. A cidade de São Paulo ocupa o 37º lugar no ranking mundial de extensão no sistema metroviário, ficando atrás inclusive da Cidade do México, que conta com mais de 200 quilômetros de vias. A expansão aumenta a passos lentos e também tem alto custo, cerca de R$ 100 milhões o quilômetro. Além disso, faltam investimentos de longo prazo e visão setorial do problema, relacionando-o a outras áreas. “Também há dificuldade de acesso aos recursos financeiros, já que os municípios estão muito endividados e todas as soluções têm custo ambiental alto, com tecnologias poluentes”, destaca Tonobohn.

Para o arquiteto, a saída para o caos instalado nas ruas de São Paulo e de outras grandes cidades também está no planejamento urbano e na descentralização do emprego e dos serviços. “A política de desenvolvimento urbano e de mobilidade devem ser pensadas junto”, afirma. “É preciso reduzir os percursos e tempo das viagens e investir em transporte não motorizado. Tirar gente do transporte individual e passar para o coletivo confortável e de custo baixo”, afirmou.

Tudo isso, traria para a cidade outros ganhos em qualidade do ar e economia de energia e os investimentos poderiam ser redirecionados para setores estratégicos como educação, tecnologia, comunicação.

Entre os dias 4 e 11 de novembro o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizou uma consulta com os trabalhadores, a fim de conhecer os temas prioritários para melhorar o trabalho e qualidade de vida. 55,4 % dos bancários acreditam que o transporte é o que mais prejudica as pessoas, seguido de segurança pública eleito por 28,4%.

Para Juvandia Moreira, presidenta da entidade, a saída também passa por uma gestão estratégica e integrada de desenvolvimento urbano. “É necessário pensar em soluções que estão além de mais investimentos em transporte público. Em nossa categoria, por exemplo, é possível começar a discutir que os bancários passem a trabalhar mais próximos de suas casas, o que ajudaria muito na qualidade de vida dessas pessoas. Com isso, também seria possível a utilização dos carros para momentos de lazer com a família e não como meio de transporte diário.”, destaca. “Estimular a carona solidária ou o uso de fretados também pode ser outra saída para melhorar o congestionamento na cidade.” completa Juvandia.

“Tem de mudar a maneira como a cidade se constrói. Não adianta construir novas vias, porque elas logo ficam obsoletas”, completa Tonobohn.

Juvandia ainda destaca que esse problema deve ser tema de novos debates. “Enquanto Sindicato-cidadão vamos continuar a discussão da mobilidade e formular propostas da categoria para levar ao poder público e começar a alterar essa dura realidade.”

No Brasil - Uma Política Nacional de Mobilidade Urbana foi aprovada em setembro e aguarda sanção da Presidência da República. Uma das diretrizes determina que, para ter acesso a recursos federais, os municípios terão de priorizar os transportes coletivos, os não motorizados, reduzindo o transporte individual. “Andar a pé é uma forma de se relacionar com a cidade, o carro impessoaliza. Mas a calçada não é tratada com parte do sistema viário, o que está errado. O órgão gestor de trânsito tem de assumir para si a gestão das calçadas”, explica Tonobohn. “Essa é uma discussão fundamental para o ano que entra em que vamos debater os rumos que a cidade vai tomar. Se queremos concretizar esse modelo atual ou vamos alterar a questão da mobilidade. A mudança é possível é viável.”

Trânsito em São Paulo

. 20 milhões de viagens de pessoas ao dia

. 12 milhões de entregas de mercadorias ao dia

. 6,25 milhões de veículos/dia (5 milhões de automóveis, 17 mil ônibus, 33 mil taxis, 200 mil caminhões, 500 mil utilitários, 500 mil motos)

. 15.542 quilômetros de vias: 72 de VTR (vias de trânsito rápido, como as marginais), 1.247 arteriais (avenidas), 1.985 coletoras, 12.238 locais

. São apenas 257 quilômetros de trilhos: 74 em metrô e 183 em trem

. Tempo perdido em automóveis custa R$ 78,8 milhões ao ano.
Em ônibus, 46,8 milhões ao ano

. Consumo de combustíveis em automóveis R$ 114 milhões ao ano. Ônibus, R$ 1 milhão ao ano

. Poluição causada em por automóveis tem custo de R$ 28,2 milhões ao ano. Pelos ônibus, R$ 600 mil

. A mobilidade geral por subprefeitura em São Paulo vai de 0,98 a 5,25 viagens por pessoa, sendo maior na região central

. São geradas 10 mil toneladas de poluentes todos os dias úteis na cidade de São Paulo. O transporte é responsável por 98% do monóxido de carbono, 96% do óxido de nitrogênioe 93% dos hidrocarbonetos

. Baixa mobilidade: de 1,3 viagens/habitante/dia, quando o ideal é 3

. Tempo: mais de 600 mil viagens levam mais de 2,5 horas

. Tempo médio é de 62 minutos por deslocamento. Para automóveis é inferior a 30 minutos

. 5,3 milhões de pessoas não podem custear o transporte em São Paulo. No Brasil todo são 37 milhões

Por Viviane Claudino


Comerciantes se mobilizam em duas ações sociais na região da Luz

Pelo menos duas ações sociais estão sendo desenvolvidas nos bairros da Luz e Santa Ifigênia. São dois tipos diferentes de cadastramento de usuários de drogas na chamada cracolândia, na rua Helvetia. Um deles é idealizado pelo comerciante de suprimentos de informática Victor Mazza.

O comerciante anunciou ao Centro em Foco a organização de um programa voltado ao cadastramento de usuários de drogas, na cracolândia, bairro da Luz. “Ele consiste num levantamento dos mais de oito mil usuários de drogas no local. Faremos identificação digital e de íris.”

Este cadastramento, como Mazza garantiu, será utilizado para o acompanhamento, orientação e encaminhamento a uma clínica de reabilitação parceira deste programa, cuja implantação, como ele garantiu, depende agora de detalhes jurídicos.

Projeto Viver - Outra iniciativa é do também comerciante na área de informática e diretor da Associação dos Comerciantes do Bairro da Santa Ifigênia, Paulo Garcia. Visando assegurar assistência incluindo a reabilitação dos usuários de drogas na cracolândia, ele concebeu o projeto Viver integrado por: um médico, um psicólogo, quatro assistentes sociais, quatro ex-usuários e seis voluntários no trabalho de campo.

Concebido em sete etapas, o projeto Viver inclui a atuação da equipe cujos integrantes uniformizados “estarão de prontidão nas imediações dos locais de suas intervenções”, garante. Na segunda etapa da proposta de Paulo Garcia, os usuários serão diretamente abordados por membros da equipe do projeto. A terceira etapa consiste no encaminhamento do usuário de crack para tratamento.

A partir da quarta etapa, já na clínica de tratamento, o usuário de droga passa a ser apadrinhado por um comerciante também cadastrado no projeto Viver. Após a saída do ex-dependente químico, prevista na quinta etapa, o reabilitado passa a atuar como prestador de serviços na comunidade, dentro da sexta etapa. Por fim, a sétima e última inclui o encaminhamento do reabilitado ao mercado de trabalho.

Em todas estas etapas, garante Paulo Garcia, o desenvolvimento do usuário de drogas será supervisionado de perto por seu padrinho. Incluindo também o custeio da internação e um salário ao reabilitado. “Muitos comerciantes sensibilizados pelo projeto Viver já se mostraram favoráveis à sua aplicação”, destaca. “Agora precisamos ‘arregaçar as mangas’ e por tudo isto em prática”, concluiu.

Por Paulo de Souza


Mulheres “guerreiras” recebem Prêmio
na Câmara

A Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras de São Paulo (APSMN-SP), com apoio do mandato da vereadora Juliana Cardoso (PT), Conen, Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT- SP, Feconevz e Soweto Organização Negra, realizaram no último dia 7, na Câmara Municipal, a entrega do III Prêmio Palmas Para a Nossa Guerreira.

Doze mulheres que se destacaram na luta contra o sexismo e o racismo, foram distinguidas com a menção honrosa. Durante o evento, realizado pelo terceiro ano consecutivo, representantes de entidades feministas e de mulheres negras se manifestaram sobre a falsa visão de que a sociedade brasileira vive uma democracia racial.

Das doze laureadas, sete tem Maria no nome, e todas têm em comum uma forte disposição na luta pela igualdade. São elas:

Ana Semião de Lima (Makota Rifula da Casa Angola) - Primeira Presidenta da FENATRAD e Diretora da Associação Amigos do Feconezu.

Exalta de Camargo Dias - Publicitária e componente da Velha Guarda da Escola de Samba Flor da Vila Dalila.

Maria Aparecida Amaral da Silva - Psicóloga e representante do Clube da Melhor Idade Mariama, fundado em 1993.

Maria Conceição Moreira de Sousa (Ekede Conceição) - Fórum de entidades negras de São José dos Campos e FECONEZU.

Maria de Fátima Ferreira - Pedagoga, professora de educação infantil e fundadora do Movimento Negro Unificado.

Maria da Graça de Jesus Xavier Vieira - Coordenação Executiva da União dos Movimentos de Moradia (UMM) e da Central de Movimentos Populares (CMP).

Uma das premiadas foi Graça Xavier, da União dos Movimentos de Moradia.

Maria de Lourdes do Amaral - Fundadora do Movimento de Creches da Unicamp, Membro da Coordenação de Aposentados do STU e Coordenadora do FECONEZU/Campinas.

Maria José Pereira Santos - Assistente social, educadora na área da saúde, mestre em psicologia social e fundadora da Soweto Organização Negra.

Maria Regina Teodoro - Diretora da CONTRACS, do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Campinas e região e da Associação Promotora Legal Popular “Cida da Terra”.

Neuza Maria Marcondes - Professora da Rede Estadual de Educação e ativista da S.R.C. Fala Negão e Fala Mulher.

Sonia Barbosa - Coordenadora Geral da Associação de Moradores do Conjunto Presidente Paraíso/Pirituba.

Marlene dos Santos (1948-2011) - Afrolene Confecções Artesanais (In Memorial).

 
 

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