Vivas a São Paulo, parabéns aos paulistanos!
Não poderia ser diferente, o Centro em Foco comemora o aniversário de São Paulo, homenageando a cidade, cumprimentando-a através de manifestações de apreço por alguns dos seus inúmeros lugares que são cantados e contados em versos e prosa, e de respeito e reconhecimento à importância de seus cidadãos - homens e mulheres que a constróem diariamente. Sim, pois seu dinamismo parece infinito, ela muda, é renovada todos os dias; há quem diga que Sampa é destruída e reconstruída em dias.
Como todos os paulistanos, a equipe do Centro em Foco fica muito feliz com o aniversário da cidade, e, também como eles, tem um motivo particular para comemorar. É que o jornal faz aniversário em Outubro, mas desde seu primeiro ano de existência, decidimos festejar em 25 de Janeiro. E aos 454 anos de Sampa, o Centro em Foco completa 4.
Não é possível falar de São Paulo sem lembrar de seus números, que são os maiores do país em todos os setores, por isso têm destaque na imprensa brasileira. Nesta edição também dedicamos espaço para eles. Esses números revelam o gigantismo da cidade, que pode ser ora boa, ora cruel, simples e sofisticada, democrática e autoritária, rica e paupérrima, linda e às vezes muito feia. Ela é a síntese do próprio contraste. Apresenta os melhores e os piores títulos que uma cidade pode ter, mas é antes e acima de tudo uma cidade aberta.
São Paulo é aberta a todos os povos, é cosmopolita e nela todos se entendem. Abraça gentil a todos: gente de 70 nacionalidades, além dos paulistas e migrantes de todos os estados brasileiros, habitam seu território, constituindo uma população de 10,8 milhões de habitantes. É verdade que às vezes deixa alguns de seus filhos à mingua, abandonados sob sua garoa, mas acaba acolhendo a todos. Sampa é a "terra das oportunidades", mas, exigente, cobra dos seus pontualidade, responsabilidade, desejo de progresso; sacrifica quem nela mora, trabalha e estuda.
Nossa cidade é uma das mais dinâmicas do mundo, talvez por isso atropele suas próprias origens destruindo coisas antigas, seus registros e memórias, colocando outras novas no lugar. Assim é com prédios e monumentos inteiros e até com o testemunho de muitos dos seus construtores, que os cidadãos de hoje não viram, não conheceram ou nem sabe quem são. Daí torcermos para que a Prefeitura consiga convencer os proprietários dos prédios que, obrigados pela lei Cidade Limpa, retiraram fachadas falsas e grandes "testeiras", a realizarem as reformas ou restaurações necessárias, pois a maior parte deles ainda não o fizeram, até mesmo no centro histórico.
São Paulo é viva, não dorme, não pára. Freqüentemente abandona seus lugares para flertar com outros novos. Foi assim que o Centro numa dessas dinâmicas voltas e reviravoltas da cidade, acabou deixado para trás. Mas como a cidade é feita por homens, de repente as pessoas começaram a sentir saudades e a querer recuperar esse local tão lindo, especial, o seu cartão postal e de visitas, ao mesmo tempo.
Pelos 454 anos da cidade nos congratulamos com os paulistanos nativos, migrantes e imigrantes e aproveitamos o ensejo para pedir que cuidemos melhor dela, que a respeitemos como a mãe generosa que ela é. Não permitemos que a pressa dessa jovem-senhora a impeça de refletir sobre os inúmeros, infinitos passos que terá de dar ao longo da sua existência. Ela é senhora, porém jovem, precisa de amadurecimento para não se machucar, não se destruir e magoar seus filhos. Recebendo nosso carinho e compreensão, ela amadurecerá com sabedoria. Parabéns e vivas a São Paulo de todos nós.
Carlos Moura e Candida Maria Vieira
|