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Chega de fingir que ele não existe, ele está aos nossos olhos

Independente da quantidade, se pouco ou muito, da forma, se orgânico ou sólido, se composto por material reciclável ou não, lixo incomoda sempre; a despeito do tempo, do lugar, das circunstâncias, e ninguém, no pleno domínio de suas faculdades mentais, deseja-o por perto. Ele é fato, é um problema que a sociedade reluta a enfrentar. A população paulistana produz cerca de 30 mil toneladas de lixo, diariamente, mas a “solução” para todo esse volume ainda continua sendo os aterros sanitários, em bairros da periferia, o que para os ambientalistas e boa parte dos especialistas na matéria, isso é o mesmo que jogar a sujeira para debaixo do tapete.

Se deseja manter bons números no turismo de negócios e almeja, de fato, um dia alcançar o status de cidade ambientalmente sustentável, como discursam muitos de seus homens públicos, São Paulo precisa implementar uma série de medidas estabelecidas pela ONU, na Agenda 21: reduzir a produção de resíduos sólidos, promover a reciclagem de todos os resíduos passiveis disso, fazer a compostagem dos resíduos orgânicos, adotar tratamentos adequados para cada tipo de resíduo com tecnologias atuais, como já se faz em países da Europa e até nos USA, e desenvolver a educação ambiental. Mas estamos muito longe disso, pois até mesmo na região central, onde estão muitos dos pontos turísticos e a maioria dos monumentos históricos da cidade, a população fixa e a “flutuante” cometem, a toda hora e impunemente, atos de desrespeito à limpeza, saúde pública e ao meio ambiente.

Como exigir que a população seja civilizada e responsável o suficiente para não cometer esses verdadeiros delitos, se o Poder Público, por meio de seus agentes e prepostos, também deixa de cumprir plenamente o seu papel, ora negligenciando o exercício da fiscalização, ora exagerando no poder coercitivo conferido pela Lei, através da cobrança de caras multas; deixando de realizar, provavelmente, a tarefa, que também é sua, de educar a população para o respeito da legislação e o cumprimento de seus deveres. É inegável, que todos os dias, em diferentes horas e locais, na região central, encontramos montes ou pilhas de lixo, cada dia por um motivo..., sempre há uma explicação, mas o certo é que ele está lá. E como diz a meninada, “passou da hora” de todos nós - cidadãos e homens públicos, instituições e empresários, empregados e patrões, crianças, jovens e adultos -, cuidarmos melhor do que nos é comum; lembrando que além de preservar vias, praças, prédios e monumentos públicos, temos que cuidar da fauna, da flora, da água e do ar, sem os quais não sobreviveremos.

Fazendo a sua parte, na edição anterior o Centro em Foco iniciou uma série de três matérias (não perca a próxima edição) sobre o lixo na região central e vai deflagrar uma campanha educativa através de tiras do chargista Márcio Baraldi, além de apoiar o movimento pela coleta seletiva, que entidades do Distrito República estão desenvolvendo, com apoio da Loga e Limpurb.

Carlos Moura

 

 


 

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