São Paulo, minha cidade
Da janela
observo e admiro minha cidade
tantas vezes injuriada:
carrega o estigma de desumana
insensível “selva de pedra”
Não é verdade
sua boa índole não lhe permite
ser assim...
Foi descoberta e erigida
sob nobres sentimentos
e justas finalidades
Ela é bela mesmo quando escura
nunca fica em trevas...
Todo dia uma nova luz
nela principia a brilhar
somando-se às milhões multicores
já existentes
tornando-a mais feliz
Não é desumana
nem insensível
Abriga migrantes e imigrantes
dando-lhes as mesmas oportunidades
que dá a seus nativos
A minha cidade
ampara pobres e ricos,
bêbados e sóbrios,
néscios e sábios
Dá espaço aos progressistas
e repudia os pessimistas
É hospitaleira!
Costuma-se dizer
que quem nela não consegue viver
n’outro lugar nem sobrevive
Assim, não cabe essa pecha,
essa infelicidade
à minha tão bela, feliz e amiga cidade.
De Carlos Moura, no livro Verso Anverso
Centro de Sampa
Ao Centro toda a cidade converge
e nele desfila suas contradições:
Feiura e beleza, alegria e tristeza
miséria e opulência, pobreza e riqueza
É palco de tragédias e comédias
todo drama em suas vias tem lugar
Convive com todas as diversidades...
e a sua mística nos faz encantar
Cenário do antigo e do moderno
do original, do recuperável e restaurado
Testemunhou a história da antiga “Paulicéia”
e hoje é o elo entre o velho e o “retrofitado”
O Centro inspira artes e mobilizações
é uma região democrática por vocação:
Grupos diversos e diferentes tribos transitam
pelas avenidas, ruas e praças, sua curtição!
É a parada, a estação, o caminho
dos bêbados, sóbrios, loucos e seres ajustados:
Amantes, amigos e cidadãos abandonados
Reduto do agito cultural e da luta política
é uma região pacífica, mas não escapa da violência
Promove o simples e o sofisticado
só não admite a indolência.
De Carlos Moura, no livro Verso Anverso
Centro de Sampa II
O Centro é da capital paulista, a região central
cotidiano de milhares de fixos e habituais:
comerciários, mopradores de rua, bancários
servidores públicos, comerciantes e empresários.
É território do lícito e do ilegal
há o antigo e o histórico, há o velho e o novo
Muito dele parece fantasioso, irreal...
Para seus amantes o que conta, mesmo, é o povo!
O Centro é multidão e solidão, é do comunitário
e do pessoal, abriga o egoísta e o solidário...
Pertence a todos da cidade, mas tem cidadão local
é dito lugar das massas, mas respeita o individual.
De Carlos Moura, no livro Verso Anverso |